sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Rapariga com o Vestido de Espelhos: o REGRESSO ©

E aqui fica mais uma aventura da Rapariga com o Vestido de Espelhos.
Com este segundo texto, uma sequela do que já publiquei, ganhei o terceiro prémio do mesmo concurso em que já tinha participado. Este texto, como devem reparar ao ler, foi escrito há menos tempo. Há cerca de 2 anos, e já integrou a categoria do Ensino Secundário, ao contrário do primeiro, que participou na categoria do 2º ciclo. Espero que gostem!
Deixem os vossos comentários na secção destinada para o efeito (em baixo).
Boa Leitura!!
A rapariga com o vestido de espelhos: o REGRESSO

Com certeza já ouviram falar de Ana, a rapariga com o vestido de espelhos. Provavelmente já não se lembram dela, mas ela lembra-se de vós.
Desta vez venho falar-vos um pouco da juventude da Ana. Quando a apresentei, se bem se lembram, ela era apenas uma criança de tenra idade. Sem mais demoras, passemos à nossa história.
Ana, na sua infância, travou conhecimento com uma rapariga muito especial, Jucimila. Estas duas meninas, que se tornaram grandes amigas cresceram e depois do sucesso da sua “sociedade” criadora de moda, mais propriamente de vestidos, a sua amizade ficou ainda mais forte. No entanto, e como é natural, durante a juventude, a sua amizade foi muitas vezes posta à prova.

Certo dia, Ana conheceu um rapaz pelo qual começou a desenvolver sentimentos muito, como dizer, muito bonitos! O amor é algo que é realmente fantástico, e Ana descobriu isso.
Quando conheceu André, o rapaz por quem se apaixonou, Ana começou gradualmente a afastar-se de Jucimila. Este distanciamento não surgiu porque ela o quisesse, foi algo espontâneo e que tantas vezes acontece na juventude de uma pessoa.
André era um rapaz extremamente simpático, um jovem de ouro, se assim se pode dizer. Um jovem que acima de tudo defendia os valores da honestidade, da lealdade e da fidelidade. Como já devem ter percebido, André era um rapaz fora de série, tal como Ana era uma menina única. Eram, por assim dizer, o par ideal.
Assim sendo, André e Ana começaram a namorar e viviam dias de muita alegria e cumplicidade. Os dias passavam e parecia que o amor destes dois jovens adolescentes não parava de crescer. Pelo contrário, parecia aumentar a cada dia que passava, unindo-os sempre.
Contudo, quem não achava tanta graça a este namoro era Jucimila. A pobre menina da cor do chocolate estava como que esquecida. Ana não lhe telefonava à noite para conversarem como faziam antes de aparecer o André.
Deste modo, Jucimila sentia-se abandonada pela sua melhor amiga, e as coisas pareciam não parar de piorar. Ana, ultimamente, não estava a dar atenção à loja que tinha construído com a amiga, e como tal, os resultados não estavam a manter-se. A loja foi perdendo clientes e Jucimila fazia o inimaginável para garantir o sucesso da mesma, mas sozinha, não conseguiu manter o nível de qualidade dos vestidos. Trabalhava por ela e por Ana que já nem aparecia na loja para a ajudar com as encomendas. E a crise que hoje vivemos foi a gota de água para levar a loja ao encerramento.
Poucas semanas após o encerramento da loja, Jucimila encontrou Rita, aquela menina “má” que conhecera na sua infância e que tanta inveja tinha da amizade que unia Ana e Jucimila. Rita tinha voltado à cidade dias antes do fecho do negócio dos vestidos, depois de ter estado no estrangeiro a concluir o seu curso de arquitetura.
Quando viu Jucimila, já depois da falência do negócio, começou a aborrecê-la e a fazê-la sentir-se cada vez mais triste. Disse-lhe que Ana nunca tinha gostado dela, que a tinha usado para se adaptar e se integrar na sociedade local. Contudo, Jucimila não se deixou enganar, pois sabia que o que Rita dizia não era verdade.
Nessa noite, quando se foi deitar, refletiu. Pensou em todos os momentos bons que partilhara com Ana e todas as dificuldades que juntas, tinham superado.
Nessa mesma noite mas noutra casa, Rita estava também a preparar-se para ir dormir, quando o inesperado aconteceu. O seu telemóvel tocou. Era um alarme. Ana foi ver de que se tratava e lembrou-se que Jucimila faria 16 anos no dia seguinte. Nessa noite, também Ana refletiu sobre a sua atitude e sobre como o amor se tinha sobreposto à amizade que durante tanto tempo a unira a Jucimila.
Na manhã seguinte, dia 8 de Março, Jucimila acordou, e deslocou-se calmamente até à cozinha. Mas algo estava prestes a acontecer. Quando chegou à cozinha, tudo estava às escuras: os estores fechados, as luzes apagadas.
Entrou lentamente na divisão e de repente, Zásss!!! A cozinha iluminou-se e, num segundo todos os seus amigos apareceram. Todos lhe deram os parabéns a Juci (o nome carinhoso com que os amigos a tratavam) e olhando para todos eles, agradeceu-lhes a surpresa. E de imediato todos lhe disseram que a responsável por tudo tinha sido Ana, que, estranhamente, esta não estava lá.
 Jucimila, ansiosa, perguntou se alguém sabia onde estava Ana, mas todos disseram que não. Naquele momento o que queriam é que Juci fosse com eles para ver uma outra surpresa que a esperava.
De olhos vendados, os seus amigos levaram-na até à loja dos vestidos que outrora tinha sido um sucesso, e assim que entraram, retiraram-lhe a venda. Jucimila olhou em redor e viu uma loja totalmente remodelada, simplesmente magnífica. E atrás das máquinas de costura viu Ana a coser algo que não conseguiu perceber o que era. Ana levantou-se e dirigiu-se a Jucimila.
Começou por lhe pedir desculpa por tê-la posto de lado durante o tempo que tinha passado a namorar André. Depois deu-lhe um abraço muito forte e Juci disse-lhe que sabia que ela não se tinha esquecido de si. A seguir, Ana entregou-lhe um saco.
Jucimila abriu-o cuidadosamente, e quando retirou o seu conteúdo, ficou muito contente. Era um vestido de espelhos, mas com uma singularidade: tinha um espelho especial, em que figuravam duas pessoas, ANA e JUCI.
Depois deste dia, a situação de Ana e Jucimila mudou. Ana passava muito tempo com a amiga e com o namorado, que também começou a colaborar na loja, e o sucesso foi novamente atingido. O mundo estava naquele momento um pouco mais belo. Mas Ana e Jucimila, agora aS raparigaS com os vestidos de espelhos, acharam que, tal como Ana tinha escutado o silêncio da amiga e tinha percebido que a sua amizade não estava bem, havia muitas coisas no mundo que tinham de ser mudadas.
Era necessário escutar o mundo em que viviam e perceber que o seu silêncio face a certas situações poderia querer dizer alguma coisa. Assim, com parte do lucro da loja dos vestidos, lançaram um novo projeto chamado “Sons Do Silêncio”, uma associação de voluntários que rapidamente se tornou um fenómeno mundial, estabelecendo-se vários núcleos por todo o mundo.
Com ações a desencadearem-se a nível global, os voluntários escutavam as necessidades do planeta e atuavam em conformidade, erradicando a pobreza, protegendo o ambiente e acima de tudo, mantendo uma boa relação de amizade com o MUNDO, que se tornava assim um lugar cada vez melhor!
Fim
Bernardo Pernadas



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